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O Cliente
A definição do dicionário diz que o Cliente é uma pessoa que confia os seus interesses a um procurador.
Este é, por seu lado, aquele que tem procuração para tratar dos
negócios de outrém. O Cliente pode também ser um freguês, aquele que
compra habitualmente à pessoa certa. A mudança de valores e
posicionamentos no mercado empresarial fizeram com que deixássemos as
"esquinas", onde o Cliente vinha ter connosco e, face à conjuntura
concorrencial, passassem a ser os fornecedores a ir ter com o Cliente,
que se instalou e fixou morada. (...)
No entanto, recorrendo a uma
imagem antiga, em que o mercado ainda é o "lugar das compras" (que não
deixou de ser, os produtos é que se tornaram diferentes), podemos dizer
que o importante na relação com o cliente ainda é a relação de
confiança e de hábito que se estabelece.
O cliente tem que
confiar em alguém que conheça o seu negócio e que lhe possa antecipar
necessidades, suprir faltas e falhas e procurar soluções. Alguém que se
preocupa com a forma como o negócio evolui, que pensa como o pode
melhorar e que tem as melhores soluções para tal. Este alguém tem que
converter-se em "procurador", conhecer bem a "casa" e o "mercado" onde
o cliente se posiciona, saber o que lhe faz falta para que o negócio
floresça, antecipar as suas necessidades e propôr soluções adequadas.
A actividade comercial
A
actividade comercial não é mais do que estar atento ao cliente, na
perspectiva de compreender o seu negócio e facilitar-lhe o acesso a
soluções que auxiliem a evolução no sentido que ele pretende, a atingir
os seus objectivos, a resolver os seus problemas.
O comercial
deve pensar no negócio do seu cliente como se fosse o seu. A
preocupação em conhecer a empresa, a missão e objectivos, o negócio,
estratégia e direccionamento, a sua estrutura e políticas de recursos
humanos é tão fundamental como conhecer o organigrama ou chegar o mais
perto possível do centro de decisão. O comercial que se posicione desta
forma pode vir a ter mais sucesso do que aquele que assume saber o que
o cliente precisa e "impinge" as suas soluções.
Todos os
manuais de vendas referem que aquele que tem um produto ou solução para
vender deve partir do princípio que o cliente apenas compra o que quer
ou precisa ou para que tem orçamento. Assim, o comercial deve estar
atento às necessidades do cliente, aos projectos em que está envolvido
e que estão a decorrer na empresa, às oportunidades que estes
representam, às sugestões que lhe pode fazer de melhoramento ou
mudança, tendo por objectivo alcançar os objectivos dele, mas
"colocando" os seus produtos "na banca".
A relação entre os
dois constrói-se a partir da confiança que o comercial demonstrar ter
nas suas soluções e na forma como o transmite ao cliente, sendo uma
relação de simbiose e não um parasitismo. O cliente tem que perceber
claramente quais as mais valias do produto ou serviço, bem como que
contributo positivo estes têm para a resolução do problema. Só assim o
cliente vai confiar na solução que lhe está a ser proposta e,
consequentemente, no comercial.
Alguns conselhos práticos
Para
quem está a fazer propospecção, e depois da fase de selecção dos seus
públicos/potenciais clientes, há que dar início à marcação de reuniões.
Há que pensar e estruturar a abordagem, prever algumas situações
frequentes (como apenas conseguir falar com a secretária ou um colega)
e arranjar forma de "enfrentar" essas adversidades, transformando-as em
oportunidades. Conseguir o correio electrónico da sua pessoa-alvo para
enviar a apresentação da empresa pode ser uma solução, ou então envie
por correio tradicional, sem esquecer o "follow-up", fundamental para
chegar à primeira reunião.
Aproximadamente 2 dias úteis depois
deste envio certifique-se, por meio de um telefonema ou uma ida pessoal
à empresa, que a pessoa recebeu e/ou leu a apresentação; conforme a
resposta (pode ser necessário re-enviar o e-mail ou enviar por correio)
e não deixando passar mais de 4 dias úteis, deve estabelecer novo
contacto a pedir retorno sobre a apresentação e/ou interesse dos
serviços/produtos. Não deixe passar mais de 6 a 7 dias úteis até voltar
a tentar novo contacto a solicitar reunião.
Para quem já tem
contas atribuídas, há que considerar que deve, através dos seus
interlocutores existentes, procurar outros (por exemplo, o marketing ou
o departamento de projectos e/ou desenvolvimento) para aumentar o seu
conhecimento da empresa e para que a visibilidade que tem do negócio do
seu cliente potencie a venda das "suas" soluções.
O comercial
deve sempre ter presente que a pessoa que vai encontrar, mesmo que esta
esteja vestida de forma casual, não é o seu "companheiro de copos". A
cordialidade e o tom amistoso devem marcar presença desde a recepção
até ao director. Não se queira saber demasiados pormenores da vida da
pessoa mas deve ter-se a preocupação em reter um ou outro pormenor (se
a pessoa tem desenhos de criança no gabinete poderá perguntar se são
do/a filho/a e que idade tem) mas sem entrar em detalhes (em que escola
anda, o que gosta de comer, etc.) aproveitando para, nas vezes
seguintes que estiver com a pessoa, perguntar se o/a filho/a está bem.
Assim, gradualmente, vai estreitando uma relação que é, acima de tudo,
profissional.
A primeira reunião
Começar
pode ser complicado, uma vez que o comercial é um estranho para o
cliente, mas pode transformar-se esta "fraqueza" numa "força" uma vez
que esta reunião vai marcar, para sempre, a sua relação com o cliente.
Use -a como uma ferramenta para atingir os seus objectivos.
Os
passos seguintes são um guia de suporte à actividade comercial
continuada, quer seja o primeiro encontro, quer já tenha presença
marcada no cliente. No seu quotidiano, o comercial deve estar focado
nestes 6 factores: quem, onde, como, quando, porquê e quanto. Só asism
poderá fazer uma excelente detecção de oportunidades.
Os 9 passos para uma reunião bem sucedida
1.
Prepare sempre as suas reuniões com uma recolha prévia de informação
sobre a empresa que visita - o objectivo é poder trocar ideias com o
cliente;
2. Fazer perguntas sobre a empresa, com base na
informação que obteve - o objectivo é perceber o negócio do seu cliente
e perceber a estrutura;
3. Procurar perceber os problemas
(angústias) que o cliente tem por resolver e procurar enquadrá-los na
empresa - o objectivo é contextualizá-los para perceber onde estão as
oportunidades;
4. Procurar perceber qual seria, na opinião do
seu interlocutor, a solução ideal para aquele problema porque a pessoa
em causa já pensou bastante no assunto;
5. Procurar sistematizar as ideias fazendo uma síntese do problema que o cliente lhe expôs;
6.
Apresentar um ou dois cenários possíveis, aproximando-se daquela que
seria a solução ideal para o cliente, que lhe resolvam o problema e que
estejam ao seu alcance financeiro (se fizessemos assim..., se lhe
propusesse isto..., ) - trate do COMO e do PORQUÊ;
7.
Seleccionar, conjuntamente, a solução ideal e tratar dos detalhes - já
tem o QUÊ, agora falta o COMO, QUANDO, com QUEM e ONDE;
8.
Rever todo o cenário com o cliente, fazer uma síntese, verificar se
estão de acordo e se a solução apresentada resolve efectivamente o
problema em causa e confirmar o cabimento orçamental;
9. Apresentar uma proposta financeira (o QUANTO), com o descritivo total da solução, e fazer o "follow-up".
Mesmo
que não consiga efectuar este trabalho na primeira reunião, o objectivo
é fazê-lo de forma permanente nos seus clientes, de forma a que adquira
o "à vontade" suficiente para fazer sugestões.
A aplicabilidade destes passos entrará no quotidiano do comercial que não é apenas um vendedor mas s im um ganhador.
Boas vendas!
Susana Godinho - Março 2005
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