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Vivemos a grande época das empresas e dos serviços e, mais do que
nunca, se fala em comprar e vender serviços. Experimentamos um cenário
em que prestamos serviços para empresas que prestam serviços a
prestadores de serviços. Temos novos meios à disposição que nos
simplificam processos e procedimentos, contamos com os factores rapidez
e facilidade, inovamos pela reformulação de métodos. Criámos formas
diferentes de fazer o mesmo e somos caixeiros viajantes por e-mail. (...)
A
ciclicidade das épocas manifesta-se pela forma como aproveitamos o
legado, a favor de um qualquer objectivo ou resultado. O fenómeno que
originou o consumo de massas, disponível em diversos "sítios" e por
diversas vias, deixou antever que a personalização ou individualização
da disponibilização de bens e prestação de serviços estaria, para
sempre, fora dos hábitos de consumo dos indivíduos. Mas assistiu se,
paralelamente, ao aumento da informação disponível. Com isto o
consumidor tornou-se mais conhecedor dos seus interesses e, portanto,
mais exigente. Este facto reverteu o processo de venda/compra. Voltámos
a prestar atenção às características inerentes de um, e apenas um
negócio, ou indivíduo. Voltámos a querer "ganhar a confiança" da pessoa
ou empresa porque apenas assim conseguimos "vender". Voltámos à época
do "fato-por-medida", feito sob encomenda, única e exclusivamente para
uso de uma pessoa. Porque é que os Ferraris nunca saíram de moda?
As
alternativas colocam-se quando pensamos que podemos desenvolver
soluções direccionadas para um objectivo específico. Mas, para fazer
isso, baseamo-nos em estudos de grandes consultoras, na experiência
empírica ou em informações que recolhemos da internet, sem questionar a
validade das mesmas. Não há tempo a perder, precisamos duma resposta
que se adequa a uma necessidade sentida, fazemos um rápido diagnóstico
e já estamos a apresentar a solução. Afinal, temos, ou não, a solução?
É, ou não, uma resposta a uma necessidade imediata?
Isto
coloca-nos perante um trilema: vamos impôr serviços, vamos criar
necessidades ou vamos conhecer necessidades? Duma forma simplista
podemos perceber que qualquer uma destas soluções apresenta vantagens e
inconvenientes. No primeiro caso partimos de tipos de serviços
pré-definidos, ideias definidas e estruturadas com um propósito
específico, o que pode ser limitativo, por falta de flexibilidade e
criatividade, mas de fácil implementação no caso de haver
receptividade. No segundo caso vamos direccionar a procura para o nosso
tipo de oferta, mas estaremos talvez a tornar importante algo que
poderá não corresponder a necessidades reais, o que se pode reflectir
no rápido esgotamento da capacidade de absorção dos serviços que
estamos a promover. Por último, a abordagem em que se parte do
pressuposto de que quanto maior for o conhecimento que temos da
entidade em que estamos a intervir, maiores são possibilidades de
potenciar ou gerar negócio. Aqui existe uma necessidade inicial que vai
despoletar a intervenção e que procuramos aproveitar para o melhor para
suprir as necessidades encontradas, independentemente da fonte. A tão
conhecida consultoria, em que se trabalha não "para o cliente" mas sim
"ao lado do cliente", e que tem a grande desvantagem de todos serem
especialistas nela. Todos conhecemos os processos (a fórmula)
utilizados, apenas varia apenas a "embalagem". Que credibilidade temos,
então?
A grande parangona desta época é a consultoria, os
serviços dedicados, feitos à medida do cliente, soluções orientadas
para o cumprimento de objectivos específicos, de forma a dar resposta a
necessidades particulares e inerentes a uma organização. Vamos definir
alguns conceitos, para que esta conversa se torne mais clara.
Serviço*
- trabalho a fazer; benefício; grupo mais ou menos amplo de empregados
de uma empresa pública ou privada que trabalha sob a orientação de um
chefe responsável; satisfação directa de uma necessidade pela
utilização de um bem ou de uma prestação de trabalho.
Dedicado* - que se dedica; destinado; oferecido.
À medida* - consoante, segundo, conforme; em conformidade; de harmonia; de acordo com, consoante.
Consultoria*
- repartição onde se procuram informações ou esclarecimentos; lugar de
trabalho ou actividade de consultador ou consultor.
Fiabilidade* - qualidade do que é fiável; grau de confiança.
Podemos,
então, falar de serviços como a utilização de bens ou de uma prestação
de trabalho para a satisfação directa de uma necessidade. No entanto, o
conceito de "serviços por medida" ou "dedicados" tráz consigo um
pleonasmo, porque é duplamente (por ser "serviço" e por ser "dedicado")
destinado a estar em conformidade, ou de acordo, com algo que é
particular ou inerente a uma organização.
Se todos
apresentamos soluções criadas e desenhadas por forma a irem ao encontro
das necessidades dos clientes, adaptando-se aos ambientes mais críticos
e exigentes, então que credibilidade tem a solução que apresentamos?
Não
haverá uma resposta única, nem se pretende aqui dar "a" resposta.
Apenas propomos temas de reflexão para os quais pensamos ser necessário
encontrar, acima de tudo, "fórmulas" que permitam aos "vendedores", que
têm hoje um vasto conjunto de técnicas e vias de promoção dos seus
produtos, serviços e soluções, ter uma perspectiva do que é um "bom"
serviço.
Temos consciência que para rentabilizar, aumentar,
melhorar, capacitar, tornar produtivo, eficaz e efectivo o trabalho que
fazemos temos que trabalhar nas capacidades, conhecimentos e
competências dos nossos colaboradores.
Usamos discursos que
têm origem em ideias como: factor diferenciador num espaço empresarial;
garantir a satisfação dos clientes; produtividade e competitividade;
valor acrescentado; implementação de soluções; direccionamento de
competências; redução de custos; flexibilidade; adequação a
necessidades; requisitos específicos; experiência acumulada; exigências
do mercado; vantagens e benefícios; orientação para uma realidade
específica; personalização.
O desafio que fica, nesta nova
etapa, é o de mudar a atitude, a forma como disponibilizamos a solução,
e não apenas o discurso, que é a face visível. A frase "Não basta mudar
por fora, há que mudar por dentro." é francamente adaptada a esta busca
da solução ideal. Vamos continuar à procura do melhor discurso ou vamos
partir para uma nova etapa, que tem inerente e subjacente uma mudança
de mentalidade e comportamento, e começar, de facto, à procura da
melhor solução? Mudar a atitude é um acto arrojado mas, acreditamos, o
passo decisivo para que a solução proposta seja baseada numa visão
holística e eclética, onde o centro se transfere do cliente para as
suas necessidades.
Holístico* - adjectivo - relativo a holismo; que concebe a realidade como um todo.
Ecléctico*
- adjectivo do eclectismo ou a ele relativo; formado por elementos de
várias origens; sentido figurado: variado ou versátil.
Susana Godinho - Março 2005
Nota: todas as definições assinaladas com * têm como fonte www.infopedia.pt.
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